É possível uma máquina ser gentil?

É possível uma máquina ser gentil? É viável identificar, buscar e produzir emoções através de modulações de parâmetros digitais? O que dizem os sintetizadores sobre minhas lembranças, sobre coisas que vivi?

Essas e outras respostas à perguntas não formuladas me vem à cabeça ouvindo Desfiado, novo disco de Barulhista. A obstinação dos arpeggiators, como formigas automatizadas andando ocupadas, cumprindo e repetindo seu curso e karma, como nós.

A paisagem da passagem das nuvens mineiras nos delays e pianos elétricos, como o amor que temos ou o que queremos. Tudo isso sendo observado pelo relevo distante de melodias sutis, seculares, às vezes escondidas em meio a texturas-isca, como no nosso inconsciente.

Talvez aí eu já encontre mais uma resposta. As montanhas que cercam a cidade e a tudo observam, há milênios, veem hoje alguém tirando alma de dentro de capacitores soldados numa placa.

Sim, uma máquina pode ser gentil.

Rodrigo Campello

(Produtor Musical – Ministereo)

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