Quebrou o retrato da mãe, resmungou sobre a infância e chorou

Ainda sobra caminho. Era sobre isso a conversa, amplidão. E insistia em falar sobre conhecer lugares por aonde vai, quis dizer tudo e não entendi metade. Ela precisou de dois dias para concluir toda confusão: quebrou o retrato da mãe, resmungou sobre a infância e chorou. Eu fiquei sem ação. Não sabia se queria ver aquilo que morreria ao cair da sua boca. Me deixou plantado, desistiu de chorar. E já quem queria chorar ali era eu. Calçou os chinelos e procurou as chaves em cima da mesa, dentro do cinzeiro. Andaria distraída. Olharia, sem fôlego, a beira das coisas. E por isso mesmo, escorregaria, antes que o coração parasse de tanto bater.

Texto: Juliana Vallim e G. A. Barulhista

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