Espoleta

Uma música, um texto e um video.

Vai esvaziar os bolsos, caminhos, forças, picassos e ver o final do filme. Vai cair como teatro e pensar diferente. Sólido na areia, limpando as mãos na calça. Olhar para os lados correspondendo o gemido. O brinquedo mais complicado, a sua cascata e o meu ouvir. Colo-paradeiro. Aproveitar o tempo do mundo para modificar o instante. Caso a verdade seja mesmo – também – uma ilusão, alguém pode negar aquela noite toda, nós não. Entre todos os aspectos, pensamos: Como não percebemos antes? Que música tocava quando a mesma frase era dita em 2006?

_ Ele está?

E já estávamos ali. A simples questão se transformou num signo particular. Um signo mutante com veias de vinho e suspeitas emotivas. Vai sofrer sermão – espresso – por nada ter feito e por haver um novo ambiente a se continuar. Algumas coisas apenas acabam – o verbo-início fica em segurança, na porta dos fundos – vamos acabar juntos, resfriados de osso.

Havia o toque sem interrupção. A sensação: estou fazendo algo errado e certo, trânsito de ânimos. Havia a duração – você só percebe que eram duas pessoas depois que acaba – daí fica tudo recente, como ficar observando o céu por um tubo durante alguns minutos e depois ter medo de olhar sem ele. Atalho-distância.

Assim eles seguiram, sem vontade própria, agindo conforme alcançavam as partes e os acasos. E a janela foi fechada.

O relógio intemerato e a espoleta.

A crença do caracol ao contrário e a qualquer momento a destruição da tristeza.

Res-possibilidade. Tudo é prazer, o passado se foi. Só se pensássemos sem calma a curva seria feita, não repetimos as danças. Cada importância apresenta o que realiza, neste caso, o céu invadiu a água e fez um perpétuo desjejum. Foi preciso uma coberta para diminuir o progresso da experiência.

Vai dormir feito brinquedo, aliviando as dores da habilidade. O que fizemos? Quando viramos a chave, arrastamos o rastelo pela página? Vai bastante rápido e volte devagar, deixa escorrer pra eu ver seu rastro pela casa. Coragem-performance. Trama-pedaço.

_ Um dos nomes disso é sinceridade.
_ Sei disso.

A regra se foi e deixou magia, ciclos, sabe? Os personagens se deitaram no chão, os laços amarrados se apertaram. Nós não pensamos nada, a sintonia-calma, feito baseball sem bola é o que restou desde o início. Ainda é início. Taco e trajetória sem bola, só força e balanço. Imagem de baile. O acampamento secreto e a fogueira de videos. Os signos estão prontos, amplificados no olhar. As surpresas são automáticas. Os movimentos cegam cometendo simplicidades. Tudo que existe no ar nos abraça. Intenção-túmulo. Geometria-sucata.

Vai deslizar espaçando a cama. No meio do todo, a gente se abandona conduzindo, feito pausa, a próxima reunião. Respira e imagina o tempo dos dedos, atenta, querendo fazer com o corpo o que fazem. Estruturando com as pernas um apoio seguro – mesmo barco – assumindo a forma de um animal no cio.

_ O telefone está tocando.
_ Se dedica ao silêncio das nossas coxas.
_ Não seria uma conversa?
_ Sim, em parte inunda o lugar com o roçar das coxas, mas ainda não é música, é ensaio – a boca anárquica e as duas montanhas me rodeando.

Timbre-potência.

Vai confundir, as coisas não são claras. Não é que eu não fique irritado também, gosto de pensar numa forma útil para essa irritação. Depois decidimos o que a contece, o nome da coisa toda, sabe? Fica sendo elevação, se pergutarem diga que estamos elevando. Elevações com intervalos de escada.

Vai acordar os póros, papéis, juízos e a origem da claridade. Inevitável na altura do prédio.

_ Você não precisa carregar os sapatos com os pés.
_ Prefiro assim como está, quase não fico descalço.

Poderíamos simplesmente conversar, mencionar destinos e dormir feito bocós. Optamos pela gentileza suja-agradável de dançar. Vai aceitar o natural e criar hábito de amor. É como ir daqui para o sul, um arame, alguns animais e a armadilha funciona. Torna-se um hábito. Todo sol poente age, não há como evitar. A cinza dança – gestos, implusos de navegante – a sobra da respiração, o conforto. Sua pergunta sobre possibilidades e tempo. Minha resposta física como a cinza. Ritmo-surpresa. Gargalhamos muito, atravessando a porta e caindo exatamente onde vivem os perfumes, o vinho e aprendemos a visão dos corpos. Os sussurros-palmas. Chove saliva, são bonecos de longe – mira de revólver d’água – teu apetite aguenta a minha carne. Interrompre o brilho, goteja mais – divide a nódoa no beijo – e comenta algo sobre o futuro. Um retrato anão de um calor – minúsculos gritos – que é o brinde do início. O primeiro gole, o maior, a matéria esquecida e confiante – o consertar dos cabelos – localização vontade.

Download Espoleta MP3

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