Morada

Penso que uma situação qualquer, qualquer mesmo, merece respeito. O pedido de um beijo por exemplo: é um cantar manso que permanece como um eco trajado de encontro. E segue dançando enquanto o recital de seus donos permitem. Um pouquinho de palma-vaia. Resta o signo, a mensagem bóia fora da água, nasce de um cafuné e apaga – mas não morre. Transabraçar gota por gota, esperando a multidão passar com suas lamentações. Há também o não aguentar ver a boca se mover longe da sua, mas é assunto pra outro dia. Cismo defender os palavrões, ainda que não os fale tanto, mas não é mesmo como pular ondas fora da época? Pensar-expor e definir com ajuste fino as ideias sem pudor? Ninguém antes: se ela for pro forró eu também vou e se não tiver espaço a marchinha (rézinha) eu dou. “Vão bora andar que a terra já secou…” No início era o verso ele disse. Ainda não pensei tanto nisso como deveria, no samba e na força da baqueta no surdo.  A ciranda dá saudade, vontade de fazer uma viagem e sorrir. Quando pronuncio a palavra âncora não quero dizer pausa e sim  elo. Pesco sorrisos com a mesma alegria que abraço. Abre outra janela, cai mais um cílio. O que há atrás dessa parede? A tal saudade do futuro, não é mesmo brilhante esse sorriso? Sim, algo próximo daquelas moradas que você vive falando. Já existe a morada, a espera por esse tempo futuro, interferência do olhar, uma e trinha e nove da manhã e os sorrisos prontos. Permanência delicada e curiosa. Algumas possibilidades são impressionantes mesmo, a distância diz o local, a calma diz o tempo e seguimos nessa corrida onde todos ganham e todos são premiados.

Baseada em diálogos com Renata Carneiro.

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