Isopropila

Isopropila no lábio. Penso que não funciona, mas é sempre uma festa, outra maneira de me esconder. A cada esconderijo – ou isopropila – a coisa vai funcionando e vou me sentindo cada vez mais perdido. Não se pode ficar tranquilo quando lhe falta abismo, organizar sorrisos sabe? Nunca consegui, acho. Foi inventando apelidos que acabei aqui, escrevendo isopropila no lábio.

Agora fica um pouco mas leve olhar aquelas fotos, ouvir esses sons – leveza – quando a preocupação era apenas sinceridade eu nem ouvia falar o seu nome. Reviro os cadernos medindo os sorrisos, sim medir eu sempre consegui, organizar é que não. Então depois da sinceridade tivemos a leveza, mas sinto a ponta da divisão indo pra casa. Sabe quando você pensa no meio da festa, que eu estou fazendo aqui? Acho que a divisão vai mesmo acompanhar suas irmãs-palavras. Repetição. Ninguém quis dançar, já estava bêbada – sem isopropila no lábio – queria afeto, sentia dores fortes no abdômem.

Repetir e não falar de outra coisa – não pensar em outra palavra – fechar os olhos, criar sua ordem de sílabas, cavar a voz e lentamente respirar. Parece mentira ter que fazer tudo de novo, parece papel vegetal amassado. Como quem fala, desliga não – pensando – que saco! Querer sair na porta de entrada. Volta. Pensamos isso sem perceber o tamanho do laço que criamos quando a curva começa. Volta, meia volta. É muito estalo nessa mesa.

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