Minha boca, enquanto lavo louça

(escrito em 1 de outubro de 2010, uma sexta-feira)

Para Cassia,
sempre

Fio d’água caindo sobre a louça e a boca sussurrando. Muto os sons dos esses pra não dar bandeira, há mais gente em volta. Nada me abraça. Uma mãe grita o atraso do filho para a escola, eu estudo a louça. As costas doem a diferente altura da pia, a torneira faz outro barulho. O pingo não grita por aqui. Os sentimentos mais profundos saem pela boca secreta, os mais incríveis são filtrados pela água. Nada me abraça. São duas da manhã, outra conversa entra. Pausa no mute. Louça limpa, saudade. Fica assim o antes da cama. Outra cama. Outra louça. Outra pia. Mesma boca, outra vez. Me água!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s