Encerrando Contagem

Escrevo para todos os presentes no festival Recontagem na tentativa de esclarecer o porquê de um show tão breve.

Não costumo fazer muitos concertos (shows), mantenho o foco na produção de trilhas sonoras e nas pesquisas sobre eletroacústica. Mas eis que surge um convite para participar, digo, tocar algumas músicas no festival Recontagem. Sim, no último final de semana aconteceu em Contagem-MG um festival de bandas alternativas. Confesso ter sentido certo incômodo – algo como ouvir Michelle DiBucci num ônibus – por não saber empunhar uma guitarra (algo que soou obrigatório, pré-requisito do evento), contudo, aceitei o convite com o interesse de testar composições novas e, porque não, um público “novo” nesta cidade castigada pela fragilidade do medíocre.

Preparei, com o cuidado de sempre, 8 peças nesta ordem: 1.Barry Patern 2.Penso no amor e na vida dos cães 3.Matilde 4.Encerrando Verdades 5.Mateus Pagalidis 6.Sit down Alto Vera Cruz 7.A vaca tá indo 8.Quinze. (quando normalmente faço 11 peças)

Enquanto ainda tocava “Encerrando Verdades”, fui comunicado de que aquela deveria ser a última música a ser apresentada. Embora sugestivo o nome da peça que acabara de tocar, não pensei que fossem levar sua alcunha tão ao pé da letra. Sem nenhuma explicação, pediram que parasse. Perguntei se era para acabar naquele exato momento, então recebi a resposta: Pode tocar mais uma! – Nesse momento o garotinho que estava a minha frente, uma criança linda que havia ficado ali grudado entre a mesa de eletrônicos e a bateria, desde o início do show, me lançou um olhar tão afetuoso que preferi não desligar as coisas e voltar pra casa. Falei ao microfone: Eu só posso tocar mais uma. Vocês querem que eu toque uma boa ou uma sincera? – Escutei um: Toque uma sincera. Toquei “Quinze” (pensada como epílogo do show) e enrolei os cabos. Minutos antes de seguir para casa, me explicou o técnico de palco de que a mudança na duração do show ocorreu devido aos atrasos na troca de equipamentos entre as bandas.

Concluo. Apesar de minhas apresentações não seguirem uma trajetória linear e fechada, não produzo aleatoriamente, todas as músicas são fundamentais (do contrário não seriam peças). Sinto ter escapado 3 músicas aos ouvintes pelo a(in)cidente com o tempo, agradeço aos atenciosos e-mails sobre o concerto. Espero poder encontrá-los numa outra ocasião, sem mutilações e, quem sabe, com um repertório mais alusivo ao princípio que ao fim. Sorte e tempo para todos nós. Grande abraço!

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