Madeira, besouros e mute

Após uma pequena ausência, destes prolongamentos da capacidade humana de produzir linguagem, cá estou, escrevendo para meus amigos/ouvintes. Esta ausência é causa do convite do diretor, de extremo talento, Fábio Belotte, para produzir a trilha sonora do documentário “O retrato das coisas que sonhei” que nos apresenta de forma muito carinhosa, a vida do artista GTO. Dentre todas as formas de se produzir sons – e acredito que já comentei isso por aqui – a trilha sonora é a que me deixa mais satisfeito, talvez pelo resultado híbrido que ela tem. A difícil tarefa de criar música para este registro que versa sobre a trajetória de um artista tão esquecido e importante, me fez imergir no sonho que GTO nos deixou. Após uma intensa pesquisa de timbres compus cerca de 20 peças para o filme. O resultado foi uma série de informações (colagens minimalistas) que tentam funcionar e devolver em sons, toda a confiança do diretor e toda a suposta puerilidade abarrotada de símbolos de Geraldo Teles de Oliveira.

Ainda dentro desta ausência, recebi um segundo convite para participar junto a dois antigos e queridos amigos, Leone Soares e Leonardo Kopke, de uma apresentação sonora com música dos “besouros” ingleses. Não sou um conhecedor da obra dos Beatles, o que me forçou a uma fuga inevitável dos arranjos originais para inventar – se é que posso dizer isso – uma identidade de barulhos sobre o som dos besouros. No fim das contas, foi um delicioso brinquedo sonoro que arrancou espontâneos sorrisos e cantorias dos ouvintes. Sinto não ter divulgado aqui como (e quando) deveria, por conta da trilha, mas ainda assim, não posso deixar passar em branco esse momento tão especial e sincero que tive com esses grandes amigos.

Querendo não dar fim a essas palavras, mas não encontrando mais tempo para dizer maiores detalhes dessa ausência, termino com um convite, para algo que não costuma acontecer nesta cidade onde vivo. No próximo dia 26 de novembro de 2011 farei parte de um evento – insisto raro – chamado Recontagem, onde entre oficinas e apresentações de bandas, vou apresentar parte do disco Mute ou quando Cassia abre os livros.

Dando função (e fim) a este depósito (de ideias) de palavras, sigo agradecendo à todos os ouvintes/amigos que continuam a ouvir, comentar e espalhar os barulhos que faço.

Muito obrigado!




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One Comment

  1. Lindo trabalho feito para homenagear G.T.O., fiquei por vezes emocionada durante a exibição do documentário. História linda, tratada com imenso carinho. Parabéns, Barú pela belíssima trilha!

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